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WAV ou MP3: qual você precisa de verdade?

Um deles descarta som partindo do princípio de que você não vai sentir falta. O outro guarda tudo e cobra cerca de dez megabytes por minuto por isso. Qual é o certo depende inteiramente de para onde o arquivo vai depois.

Atualizado

O que cada um é de fato

MP3 é um formato com perdas. O codificador decide quais partes do som você tem menos chance de notar, joga fora e comprime o que sobra. É daí que vem a redução de cerca de dez vezes — não de empacotar com esperteza, mas de apagar.

WAV não é bem um formato de compressão. Um arquivo WAV é um cabeçalho de 44 bytes seguido das amostras cruas, uma atrás da outra. Esse é o projeto inteiro. Ele guarda o que o microfone mediu, sem modificar.

Então a comparação não é "qual comprime melhor". Só um dos dois comprime.

A diferença de tamanho é aritmética, não opinião

O tamanho de um WAV sai direto de três números: amostras por segundo, canais e bytes por amostra. Em qualidade de CD são 44.100 × 2 × 2 = 176.400 bytes a cada segundo, ou seja cerca de 10,6 MB por minuto, ou 42 MB para uma música de quatro minutos.

A mesma música em MP3 a 192 kbps fica em torno de 5,8 MB. Nada na música muda essa proporção; ela é fixada pelo formato.

Essa previsibilidade às vezes é justamente o ponto. Com a duração de um WAV você sabe exatamente onde cada amostra está, e é por isso que editores e ferramentas de análise gostam dele.

Converter MP3 em WAV não recupera nada

É o mal-entendido mais comum sobre esses dois formatos. O detalhe que o codificador MP3 descartou não está escondido em algum lugar do arquivo esperando ser descomprimido — ele acabou. Decodificar para WAV produz um arquivo maior com exatamente o mesmo áudio.

Isso não torna a conversão inútil. Muito software só aceita WAV, e dar um a ele é perfeitamente razoável. Só é preciso entender que você está reempacotando, não consertando.

É também por isso que a nossa extração de áudio nunca recodifica. Tirar como M4A copia os dados comprimidos originais para outro contêiner byte a byte; tirar como WAV decodifica uma vez para amostras cruas. Nenhum dos caminhos põe uma segunda geração de compressão sobre a primeira.

Quando WAV é a resposta certa

Sempre que o arquivo for processado de novo. Cada passagem por um codificador com perdas acrescenta mais uma geração de dano, e elas se acumulam: se você vai editar, mixar, filtrar ou entregar o áudio a um modelo, quer a versão que ainda não passou pelo moinho.

Nosso separador de faixas grava WAV exatamente por isso. As quatro saídas existem para entrar num editor, e entregar MP3s de uma estimativa seria empilhar uma aproximação sobre outra.

Arquivamento é o outro caso. Se esta é a única cópia que vai existir, fique com a que não jogou nada fora.

Quando MP3 é a resposta certa

Para ouvir, enviar e guardar muita coisa. A 192 kbps ou mais, em equipamento comum, quase ninguém identifica o MP3 de forma confiável. E ele ocupa um décimo.

Compatibilidade é a outra metade. MP3 abre praticamente em tudo, inclusive em aparelhos mais antigos do que qualquer alternativa que você estivesse considerando.

Não vamos dizer o que o seu ouvido escuta; isso não temos como medir por você. Podemos dizer que o arquivo é dez vezes menor e que a diferença é apagamento, não degradação.

Uma inconveniência do próprio MP3

MP3 não tem contêiner. É uma corrida nua de quadros, cada um com seu cabeçalho pequeno, enfileirados. Não há índice nem sumário, então o software que quiser trabalhar com um MP3 precisa varrer os limites de quadro em vez de consultar alguma coisa.

Essa varredura tivemos que escrever, e dois detalhes nos pegaram. A etiqueta ID3v2 no início guarda o próprio comprimento em bytes "syncsafe", que usam apenas sete bits cada — lê-lo como número comum joga você no meio do áudio. E o primeiro quadro costuma ser um quadro Xing ou Info com metadados em vez de som: se você o decodifica, sai um trecho de silêncio no começo.

A consequência prática é que MP3 é ruim para saltar a um ponto exato e sua duração declarada é muitas vezes uma estimativa. WAV tem a propriedade oposta: sem compressão a desfazer, toda posição é exata.

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WAV tem mais qualidade que MP3?

WAV está sem modificação, o que não é bem a mesma afirmação. Se o WAV foi feito a partir de um MP3, a qualidade é a do MP3 num arquivo maior. WAV só soa melhor quando nunca passou por um codificador com perdas.

Se eu converter WAV em MP3 e voltar, recupero o WAV original?

Não. Você obtém um WAV do MP3. A ida e volta não é simétrica: o primeiro passo apaga informação e o segundo não consegue inventá-la de novo.

Em qual formato devo extrair o áudio de um vídeo?

M4A se você quer só o som como ele já existe, porque esse caminho copia o áudio comprimido sem tocar nele. WAV se o arquivo vai para um editor ou uma ferramenta de análise que precisa de amostras cruas.

Vale a leitura